Saúde

Fonoaudiologia

Cem anos bem vividos
Juizforanos, que vivem há mais de um século, ensinam que
o segredo da vida longa é a alegria!

Renata Cristina
*colaboração
09/05/2005

Os entrevistados Toni César (106 anos) e José de Freitas (100 anos) contam os segredos para se chegar aos cem anos.


Você já sorriu hoje? Não? Então, trate de ser feliz! O ex-corretor de imóveis, Toni César de Oliveira Leite e o aposentado José de Freitas e Silva garantem: o segredo da vida longa está na alegria..."Procure estar sempre alegre e de bem com a vida. Se algum fato lhe aborreceu, não guarde raiva", aconselha Toni. E, José de Freitas completa: "Nunca fique muito preocupado com as coisas do dia-a-dia. Se vai dormir, deite sem preocupações. Viva alegre e feliz".

E, atenção, eles têm toda autoridade de dizer isso. São palavras de homens juizforanos que já viveram mais de um século e, é claro, têm muita história pra contar...

Eles são exemplo!
Quem tem a oportunidade de conhecê-lo, não acredita que este ilustre e simpático senhor (foto ao lado), nascido em 17 de março de 1899, tem 106 anos. Lúcido, bem disposto e muito vaidoso, Toni recebeu nossa equipe de terno, gravata e perfumado! Além de viver sempre sorrindo e de bem com a vida, ele atribui sua saúde à alimentação equilibrada e à ginástica que faz todas as manhãs.

Ele conta que desde pequeno teve uma nutrição balanceada, com a ajuda do pai que era médico. "Comia frutas do pomar, tomava leite de vaca e uma vitamina para o fortalecimento", recorda. Para o veterano, o segredo está no equilíbrio. "A vida deve ser levada sem extravagância. Procuro comer moderadamente, mas com qualidade. Tomo muito leite, gosto muito de verduras e legumes".

Vícios? Toni se rendeu à tentação do cigarro durante dez anos. "Sabia que fazia mal, por isso resolvi parar de vez". Seu pulmão? Vai muito bem, obrigado. Já a sua relação com o álcool sempre foi amistosa e, inclusive, ele aconselha a todos meio copo de vinho durante as refeições. "Bebo moderadamente e não é todo dia que tomo vinho, às vezes, até me esqueço dele. Gosto mesmo é de tomar uma cervejinha com os amigos no calçadão da Rua Halfeld, todos os sábados vou lá", confessa.

E o "seu" Toni não é o único na cidade que chegou a um século. O advogado e professor aposentado José de Freitas e Silva (foto abaixo) completou cem anos, no último dia 05 de abril. Recém-chegado à idade que desperta admiração e curiosidade de muitos mortais, Freitas revela que nunca havia pensado em viver tanto. "Só me dei conta disso quando fiz 90 anos", diz.

Assim como "seu colega de século, de vida", José de Freitas se alimenta da comida tipicamente mineira. "Fui criado no norte de Minas e acostumado a comer arroz, muito feijão, batatas, folhas e pouca carne. As frutas dessa região são muito saudáveis e sempre que posso como caju do campo, mangaba, pequi, murici, melancia, laranja e lima".

Desde a infância, Freitas revelou-se um atleta multíplice e entre uma entrega de leite ali, outra acolá - ele caminhava seis quilômetros todos os dias. Quando começou a estudar no colégio Granbery, passou a treinar futebol, basquete e corrida em longas distâncias. "Diariamente, corria do centro da cidade até o Morro do Imperador. No futebol, ajudei o colégio a ganhar um campeonato lá em Belo Horizonte".

Para Freitas, o trabalho é o melhor amigo do homem. "Fui leiteiro, sapateiro, selador, eletricista (inaugurou a luz elétrica em Birigui e Araçatuba - SP), balconista, professor, comendador, escritor e advogado. Atuei na articulação política para a eleição de Juscelino Kubitschek, ajudei em alguns temas para o seu discurso na cidade e combinei que se ele fosse eleito, fundaria a Universidade Federal de Juiz de Fora".

Ainda assim, o homem das nove profissões arranjou tempo para conhecer quase todos os países do mundo. "Só não fui onde não tive garantia de vida, como o Chile, o Egito e a Grécia. Adorei a China, o Japão, a Alemanha e a Rússia, mas o lugar mais bonito do globo é o Brasil".

Os segredos da maturidade
Para o professor de educação física, Marcelo Brigatto (foto ao lado) - leia a entrevista sobre envelhecimento - a receita da longevidade está numa combinação de hábitos saudáveis como se exercitar, se alimentar bem, dormir bem, não fumar e evitar os excessos de bebidas alcoólicas. "É importante não "deixar pra lá" sintomas relacionados à saúde que devam ser cuidados, elevar a auto-estima, rir bastante e tentar ser realizado e feliz", reforça.

Segundo o professor, o envelhecimento é um processo natural dos seres vivos. "Na verdade envelhecemos desde que nascemos, e as perdas funcionais do organismo, começam a ocorrer muito antes da fase reprodutiva", diz. Brigatto acredita que a alimentação é um dos fatores que podem evitar o envelhecimento. "Ingestão adequada de calorias favorece o nosso organismo de maneira geral. Além disso deve-se haver um equilíbrio entre a ingestão de carboidratos, proteínas, gorduras, minerais, vitaminas e principalmente água."

O contato com a natureza e as pessoas também é destacado pelos veteranos. "Respiro o ar puro da manhã. É o melhor do dia", revela Freitas. "Tenho muitos amigos e adoro falar com eles pelo telefone ou visitá-los pessoalmente. Temos que sair de casa, conversar, passear, dançar e se divertir um pouco. Adoro também distribuir presentes".

Aumento da expectativa de vida
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na década de 40, a expectativa de vida do brasileiro era de 43 anos e hoje já ultrapassa os 70, em Juiz de Fora estima-se uma expectativa de 78 anos.

De acordo com a psicóloga e coordenadora de Pesquisa do Pólo Interdisciplinar na Área de Envelhecimento da UFJF, Cristiane Novaes (Leia a entrevista), esta mudança está relacionada à melhora da qualidade de vida e ao maior número de informações acerca de fatores de risco. "Sabemos que o cigarro faz mal, que é importante ter uma atividade física regular, que doces, excesso de sal e gorduras causam problemas metabólicos, cardiovasculares. Isso não era tão claro há 40 anos atrás, para nossos avós e pais", diz".

CURIOSIDADE:
A mulher mais velha do Brasil é Maria Olívia da Silva (foto ao lado), que completou 125 anos, no dia 28 de fevereiro de 2005. Em seu registro de nascimento consta que Maria Olívia nasceu em 1880 no município de Itapetininga, SP.

Ela vivenciou fatos históricos, como a Abolição da Escravidão, a Proclamação da República e, inclusive, se recorda de alguns deles. Olívia superou o recorde de Ana Martinha que faleceu em 27 de julho de 2004 com 123 anos.

Leia mais:

  • Cristiane Novaes - Psicóloga e coordenadora de Pesquisa do Pólo Interdisciplinar na Área de Envelhecimento da UFJF
  • Marcelo Brigatto - Professor de Educação Física

    *Renata Cristina é estudante do 8º período da Faculdade de Comunicação da UFJF

  • Publicidade